O prazer imediato proporcionado pela hiperconexão digital, como descrito na imagem, pode ser compreendido pela psicanálise contemporânea como manifestação de uma tentativa de evitar o vazio existencial. Freud descreveu o princípio do prazer como uma busca constante por satisfação, mas ponderou que a realização imediata frequentemente não é suficiente para promover o bem-estar psíquico. Cada curtida ou notificação gera uma descarga de dopamina, traduzida em pequenas satisfações momentâneas, mas não possibilita a elaboração de desejos mais profundos, deixando o sujeito em um ciclo constante de busca e frustração. Sob a perspectiva de Lacan, essa dinâmica pode estar relacionada à ilusão de completude que o sujeito atribui ao objeto fornecido pelas interações digitais. Ao buscar validação instantânea no olhar do outro, representado pelas curtidas e mensagens, o sujeito evita lidar com sua falta estrutural – aquilo que nunca pode ser plenamente preenchido. No entanto, essa tentativa de tamp...
A era digital trouxe profundas transformações na forma como nossa atenção é mobilizada e capturada por dispositivos tecnológicos. Sob a ótica da psicanálise contemporânea, esse fenômeno pode ser interpretado como uma reconfiguração dos investimentos libidinais no campo do que Freud denominou como atenção flutuante, um dispositivo psíquico central para processar estímulos do ambiente. A multiplicidade de notificações e estímulos fragmenta nosso campo atencional, dificultando a capacidade de introspecção e de sustentação de um foco prolongado, que é essencial para o funcionamento psíquico saudável. O sujeito digital se vê em uma constante busca por discursos externos que muitas vezes desviam sua energia do trabalho interno e da elaboração de conflitos inconscientes. Lacan, por sua vez, nos ajuda a interpretar como a demanda incessante por validação social nas redes eletrônicas se conecta ao desejo de ocupar um lugar no discurso do Outro. Nesse contexto, cada curtida, notificação ou inter...