Vivemos um tempo em que quase tudo é urgente. O trabalho exige, as contas vencem, os compromissos se acumulam. Em meio a essa rotina acelerada, estar presente na escola do filho é um gesto que carrega significado profundo: é a afirmação de que o futuro importa. Quando família e escola se encontram, algo maior do que uma reunião acontece — constrói-se uma ponte. E essa ponte não é feita de concreto, mas de confiança. A criança percebe, mesmo sem que ninguém lhe diga explicitamente, quando os adultos que a cercam caminham na mesma direção. Essa percepção silenciosa é o que lhe dá segurança para crescer. A psicanálise, especialmente a partir das contribuições de Donald Winnicott, nos ensina que não é a perfeição que forma um sujeito saudável, mas a constância de um ambiente suficientemente bom. Isso significa um espaço onde a criança pode errar sem ser humilhada, pode chorar sem ser ignorada, pode ser contrariada sem deixar de ser amada. Um ambiente suficientemente bom não elimina frustra...
A chamada dezembrite é um termo popular que passou a nomear um mal-estar bastante reconhecível para muitas pessoas: cansaço extremo, irritabilidade, tristeza difusa, ansiedade e uma sensação de sobrecarga emocional que costuma se intensificar em dezembro. Não se trata de um diagnóstico clínico, mas de uma palavra que ajuda a dar forma a uma experiência comum. Ao nomear algo que antes era vivido de maneira confusa, o termo permite reconhecer que o sofrimento de fim de ano não é individual nem sinal de fraqueza, mas uma resposta a um conjunto de pressões próprias desse período. O mês de dezembro concentra exigências que se acumulam ao longo do ano. No trabalho, há metas a fechar, prazos a cumprir e avaliações a enfrentar. Na vida pessoal, surgem compromissos familiares, encontros sociais, expectativas de convivência harmoniosa e a ideia de que é preciso “celebrar”. A tudo isso se somam as comparações inevitáveis, muitas vezes alimentadas pelas redes sociais, onde a felicidade parece obri...