A palavra ansiedade tem origem no latim anxietas, derivada de angere — “apertar”, “sufocar”, “estrangular”. A própria etimologia já oferece uma pista importante: a ansiedade é, antes de tudo, uma experiência de constrição, de aperto interno, como se algo no corpo ou na mente estivesse excessivamente tensionado. No campo da psicologia e da psicanálise, ela não é compreendida como um sintoma isolado, mas como um fenômeno complexo que atravessa o sujeito em sua relação com o mundo, com o outro e consigo mesmo. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que os transtornos de ansiedade estão entre os mais prevalentes no mundo, afetando centenas de milhões de pessoas — e, de maneira crescente, também crianças e adolescentes. Esse dado não deve apenas alarmar: deve, sobretudo, convidar à compreensão do que está em jogo quando a ansiedade se instala desde os primeiros anos de vida. Na infância, a ansiedade não pode ser pensada como uma versão “menor” da ansiedade adulta. Ela possui lógica ...
Vivemos em um tempo em que a pressa deixou de ser circunstância para se tornar modo de existência. Tudo pede resposta imediata: mensagens, decisões, posicionamentos, sentimentos. Há uma expectativa silenciosa de que estejamos sempre disponíveis, sempre prontos, sempre funcionando. Nesse cenário, a ansiedade aparece, muitas vezes, como um problema a ser eliminado , quando talvez seja mais preciso escutá-la como linguagem de um tempo que já não tolera o intervalo. No cotidiano, a ansiedade costuma ser nomeada como excesso: excesso de pensamento, de preocupação, de antecipação. Mas, do ponto de vista psicanalítico, ela também pode ser compreendida como sinal — um sinal de que algo insiste sem encontrar forma de simbolização. Não é apenas o medo do que pode acontecer, mas a dificuldade de sustentar o não saber, o inacabado, o que ainda não tem nome. Em um mundo que exige clareza e rapidez, o sujeito se vê pressionado a responder antes mesmo de poder elaborar. A pressa, nesse sentido,...