Nunca estivemos tão conectados — e, paradoxalmente, tão sós. Mensagens chegam instantaneamente, imagens circulam sem cessar, estamos “presentes” em dezenas de espaços ao mesmo tempo. Ainda assim, cresce um sentimento difuso de vazio, de abandono silencioso, de desencontro consigo e com o outro. A solidão contemporânea não nasce mais da ausência física, mas muitas vezes do excesso de presenças superficiais. Estamos cercados de contatos, mas carentes de encontros. A psicanálise ajuda a compreender que o ser humano não busca apenas companhia, mas reconhecimento psíquico. Desde Freud, sabemos que não basta estar com alguém: é preciso ser visto em sua singularidade. Quando isso falha, emerge um tipo de solidão que não é espacial, mas afetiva. Alguém pode estar rodeado de pessoas e, ainda assim, sentir-se profundamente só, pois não se sente escutado, desejado, nem verdadeiramente acolhido. Winnicott nos ensinou que o amadurecimento emocional depende da experiência de um ambiente...