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Mostrando postagens de abril 23, 2026

“Meta dos pés”: quando o corpo é convocado a fazer o que a alma não consegue

Quem conhece o interior do Agreste sabe que, por aqui, ninguém para enquanto há o que fazer. A lida começa cedo, o sol ainda não subiu, e já há alguém de pé — cuidando do gado, abrindo o comércio, tirando o leite que vai virar o queijo que vai sustentar a família. É uma cultura do movimento, da persistência, do corpo que não cede. Um corpo que aprendeu, ao longo de gerações, que parar tem um custo alto — e que seguir em frente, mesmo quando dói, é quase uma forma de honrar os que vieram antes.   É dentro desse mundo, então, que a frase de um pai ganha todo o seu peso. Ao ver o filho deitado, tomado pela apatia, ele diz com aquela mistura de afeto e impotência que só os pais conhecem: “ Meu filho, meta dos pés. ” Não é apenas um incentivo ao movimento. É uma tentativa — ainda que sem palavras técnicas para isso — de devolver ao filho um lugar no mundo; de chamar de volta alguém que, de cima da cama, parece estar se afastando silenciosamente da própria vida — e que talvez nem saiba,...
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