“ Eu sei que não faz sentido pensar assim, mas não consigo parar. ” A frase, dita com frequência nos consultórios e nos encontros cotidianos, revela algo fundamental sobre a experiência humana: nem todo pensamento é aliado. Há ideias que insistem, retornam, se impõem e, pouco a pouco, produzem sofrimento. A psicanálise, desde Freud, nos convida a suspeitar da aparente transparência do pensar. Nem sempre pensamos o que queremos; muitas vezes, somos pensados por aquilo que nos atravessa. Freud já indicava que o eu não é senhor em sua própria casa. Parte significativa da nossa vida psíquica opera fora do campo da consciência e o que aparece como “ pensamento negativo ” pode ser, na verdade, o retorno de algo não elaborado: uma tentativa do psiquismo de dar forma a experiências que não encontraram simbolização suficiente. Pensamentos repetitivos, autodepreciativos ou catastróficos não são ruídos aleatórios. São sinais de que algo pede escuta. Wilfred Bion aprofundou essa compreensão ao pro...