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Felicidade em tempos de otimismo toxico.

“Se só quiséssemos ser felizes, seria fácil, mas queremos ser mais felizes que os outros, e isso é quase sempre difícil, porque acreditamos serem os outros mais felizes do que são.” (Montesquieu, “Meus pensamentos.”) Pollyanna é uma menina de onze anos que, após perder seus pais, é enviada para morar com uma tia má, que até então não conhecia. Para fugir dos problemas que enfrenta, ela adota o “jogo do contente”, que consiste em ver algo positivo em todas as situações, mesmo nas mais difíceis. Esta personagem central do livro homônimo escrito por Eleanor H. Porter, em 1913, virou sinônimo de alguém excessivamente otimista e até ingênuo, delineando o comportamento chamado Síndrome de Pollyanna.  A Quem Interessa o Pensamento Positivo a Qualquer Custo? Em vez de tentar ser feliz o tempo todo, as pessoas deveriam reconsiderar como lidam com os problemas. Muitos exibem uma vida irreal e fantasiosa nas mídias sociais, exaltando um grande otimismo que não corresponde à realidade. Quem vê...

Positividade Tóxica

               Negar sentimentos não prazerosos através de uma felicidade artificial e otimismo forçado pode até resultar em problemas de saúde física. O caminho é controlar as emoções, mesmo diante das situações mais desafiadoras. Após a turbulência do "vai ficar tudo bem", a pandemia revelou uma verdade que estava escondida ou sendo negada: a crise de saúde mental não se resolve apenas com pensamento positivo e fármacos. Muitas vezes, dar espaço às emoções negativas e procurar ajuda é crucial para seguir em frente. É hora de abandonar a Positividade Tóxica. Ser otimista não é errado, mas o problema está em insistir em mensagens positivas, mesmo quando a realidade não corresponde a esse ideal. Como diz o ditado, "a vida tem seus altos e baixos". A questão é como lidamos com cada situação. Quando uma pessoa evita reconhecer momentos de negatividade, isso pode fazê-la sentir-se pior. Estar Sempre Alegre É Irreal Imaginar que é possível estar s...

Sem capacidade de se apaixonar pelos dias.

  A Experiência do Vazio e a Sensação de Estagnação É cada vez mais comum ouvir pessoas dizerem que sentem uma espécie de vazio e apatia. Os relatos se multiplicam, mas isso não significa necessariamente que a pessoa esteja deprimida ou com uma perturbação psiquiátrica associada; contudo, é claro que ela não se sente bem. Esse processo pode ser entendido como um ciclo em que nos fechamos, isolando-nos não apenas dos outros, mas também de nós mesmos. O termo técnico para isso é "languishing", que não possui um correspondente direto em português. "Definhamento" pode ajudar a traduzir essa realidade, de certa forma. É como viver dias sem destino, olhando a vida através de um nevoeiro, sentindo estagnação e vazio. Desde a chegada da Covid-19, essa sensação tem se tornado mais comum. Ainda assim, o conceito de "languishing" não nasceu com a pandemia — foi introduzido pelo sociólogo norte-americano Corey Keyes, com base em pesquisas realizadas nos anos 1990. Que...

As depressões na atualidade e o processo psicanalítico

  O Conceito de Vida Ideal e a Pressão Social Atualmente, o padrão para uma vida ideal oscila consideravelmente, pois não basta apenas viver com equilíbrio e tranquilidade; é também necessária a conquista de sucesso financeiro ou profissional. As pessoas são frequentemente valorizadas por suas posses, refletindo a ideia popular de que "somos valorizados pelo que temos e não pelo que somos". Nessas circunstâncias, muitos acreditam que só serão felizes, valorizados e aceitos se estiverem de acordo com o modelo societal proposto. Ser feliz torna-se, assim, uma obrigação social. Não Confundir Depressão com Tristeza Essas pressões contribuem para o aumento de distúrbios psíquicos, como estresse e depressão. Historicamente, a depressão foi inicialmente discutida por filósofos como uma expressão de mau funcionamento orgânico (disfunção da bílis – amarela, preta, etc.), sinalizando um mal-estar da "alma". A palavra utilizada por eles, melancolia, tem origem no grego melano ...

Estados Depressivos

  As alterações dos estados de humor foram identificadas desde a Antiguidade, aparecendo em diversos registros mitológicos de diferentes culturas, incluindo relatos bíblicos. Hipócrates (460-370 a.C.), utilizando o termo “melancolia”, foi o pioneiro ao distinguir a depressão, como doença, do misticismo religioso, onde a condição era vista como um destino traçado pelos deuses. Em 1905, Adolph Meyer sugeriu a eliminação do termo “melancolia”, propondo que se adotasse definitivamente o termo “depressão”. Consolidação da Psiquiatria A evolução do pensamento descritivo de Emil Kraepelin e a abordagem compreensiva de Sigmund Freud consolidaram a transição da psiquiatria do século XIX para a psiquiatria moderna do início do século XX. Dessas vertentes, e por caminhos separados, originou-se a divisão nas práticas psiquiátricas atuais: a psiquiatria dinâmica, alicerçada em fundamentos psicanalíticos e privilegiando as intervenções psicológicas, e a psiquiatria biológica, com base na neurobi...

A síndrome de burnout: sofrimento psíquico no trabalho.

  Atualmente, ainda que sufocante, é comum que os trabalhadores mantenham uma jornada de trabalho exaustiva e contínua. Contudo, esse tipo de hábito desencadeia uma série de problemas que afetam tanto a vida pessoal quanto a profissional. Você já ouviu falar em Síndrome de Burnout? Hoje em dia, essa é uma condição bastante comum nas empresas e na vida dos profissionais ativos. Segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), a síndrome de burnout atinge cerca de 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores no Brasil (fonte: jornal.usp.br). E essa tendência é de crescimento nos próximos anos, agravada pela falta de limites no home office e pela pressão por produtividade e resultados, somada ao medo do desemprego e de contrair COVID-19. Mas afinal, o que é a síndrome de burnout? Trata-se de um distúrbio emocional caracterizado por estresse, exaustão e esgotamento físico. Também conhecida como síndrome da estafa profissional, foi descrita pela primeira vez pelo psicólogo...

Espelho, espelho meu: A angustiante ditadura da beleza.

  “O essencial é invisível aos olhos.” (Antoine de Saint-Exupéry) Recentemente, fomos impactados pela triste notícia da morte da digital influencer Liliane Amorim, de 26 anos, devido a complicações decorrentes de uma cirurgia de lipoaspiração. Vivemos em uma sociedade cada vez mais regida pela mídia, que por sua vez dita padrões de beleza quase inalcançáveis. Espera-se a manutenção de um corpo esguio, cabelos deslumbrantes, pele impecável, entre outras exigências. Neste contexto, tudo parece valer na incansável busca pela perfeição, surgindo assim o conceito de "ditadura da beleza". A publicidade exerce um papel fundamental na indústria cultural, influenciando o comportamento do consumidor e criando ideais de beleza. Dessa maneira, o corpo é exibido como uma realidade tangível, bastando que as mulheres sigam as sugestões mágicas prometidas pela mídia para alcançar o corpo "perfeito". A célebre frase atribuída à rainha má da fábula "Branca de Neve": “Espelh...
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